12 de abr de 2017

Não seja só um ônibus que me levou até o meu destino momentâneo



Final de semana passado fiz uma viagem pra uma cidade grande e tive a experiência de andar de ônibus em uma cidade grande. Fui a um terminal, e assim como eu, muitas pessoas precisavam chegar em algum lugar.

Muitas.

Tinha gente de todo tipo. Vi uma menina com um cabelo de uma cor forte - que esqueci assim que passei por ela. Fora ela, mais um punhado de pessoas indo, vindo, chegando, trombando com outras, indo ao encontro de alguém.

Assim como eu.

Hoje, sentindo falta de uma pessoa que ainda não foi embora, percebi que a vida é exatamente aquele terminal de Florianópolis.

Muitas pessoas vem e vão. Cada um com sua história, sua mochila e seus cabelos estranhos. Cada um tem um destino, mas antes, precisa parar no terminal.

Talvez o tal terminal seja a vida da gente.

Talvez tu seja aquele ônibus que eu deveria ter pegado, mas cheguei tarde demais. Quando me dei conta, você já tinha ido.

Não notei a maioria das pessoas que passavam ali, mas eu com cara de criança que chega em um lugar incrível e nova, observei admirada muitas pessoas que nem notaram a minha presença ali.

Mas eu senti cada presença. E senti cada ausência.

Hoje eu vim falar sobre a falta.

Porque umas semanas atrás, uma pessoa foi deixando devagar e eu fui percebendo. Quando me dei conta, já não era mais do que um rosto bonito e estranho, que eu não tinha contato nenhum.

E eu sei que tu faz isso de novo. Não te culpo exatamente por ir e não permanecer, talvez te culpe por me deixar acreditar que deveria entregar e mostrar tudo o que sou por inteiro, porque em alguns dias, se tudo continuar como está, você vai ser mais um rosto bonito e estranho que dessa vez, sabe muito sobre mim.

Eu queria que soubesse mais. E por isso estou aqui.

Porque eu vejo que tu estás indo aos pouquinhos, quase como se não quisesse que eu percebesse tua ausência até acordar um dia e não receber tua notificação (olha você fazendo a tela do meu celular acender).

Mas eu sempre noto.

E tua ausência aos poucos me dói, ainda, e eu já sinto tua falta.

Talvez eu tenha me admirado demais com o terminal e não me dei conta de que você era apenas um ônibus que me levaria ao meu destino momentâneo, e depois eu nunca mais veria.

Mas eu sempre vou lembrar do número da tua identificação e de como eu me senti leve, segura e madura ali. Aquecida.

Eu nunca vou esquecer da viagem curta e transformadora que tu foi.

Mas talvez, pra você, eu tenha sido só mais uma passageira.

E tudo bem.

Mas aproveita que ainda não foi e fica.

Fica.

2 comentários:

  1. Muito reflexivo!👏


    http://horadolivroinspire.blogspot.com.br/?m=0

    ResponderExcluir
  2. Muito reflexivo!👏


    http://horadolivroinspire.blogspot.com.br/?m=0

    ResponderExcluir