14 de mai de 2018

Quanto custam os seus sonhos?

Quanto custam os nossos sonhos? Isso, isso mesmo que você leu. Quanto CUSTAM? Não quanto valem.

O quanto te custa sonhar?

500 reais em uma Pista Premium pra um show que você sempre quis ver? Te custa perder uma apresentação de um trabalho importante de um amigo pra comprar um ingresso e não conseguir o setor que queria, mas decidir em dez segundos que aquilo também compensaria suas noites mal-dormidas?

Seu sonho vale 1500 reais suados, economizados e provenientes de ajuda também?

O seu sonho TE custa algo?

O seu sonho te custa deixar sua família e se mudar para outra cidade? Ou o seu sonho é justamente esse?

O quanto os seus sonhos valem?

Do que você é feito?

Quanto valem os seus sonhos?

Você, algum dia, precisou colocá-los na balança e decidir o que seria realizado mais tarde? Chorou, sozinho no quarto, porque abriu mão de algo tão importante para você? Ou, pelo cansaço, chegou a pensar em desistir de tudo porque é simplesmente mais fácil quando não se acredita em algo com tudo o que há no seu ser?

Mas, se não tivermos esperança, qual será o combustível que nos leva adiante?

Alguns capítulos são mais difíceis de escrever do que outros, mas se eles são trazidos à vida, tem sua importância fundamental no conjunto da obra.

E por último,

Quem você é, senão seus sonhos?



2 de mar de 2018

Algumas palavras sobre respiração e tempos e patamares estranhos

Eu estava jogada mexendo no celular - fazendo a coisa que mais odeio no mundo ultimamente: rolar a tela dos feeds das minhas redes sociais.

Faz uns meses, mas principalmente no último, eu não consigo mais me sentir bem e confortável passando tanto tempo no ambiente virtual. Por quê será, ein? Será que algum dia já me fez bem estar em meio a tudo isso todo santo dia?

A rotina espaçada me dá calafrios e faz com que eu me sinta absolutamente inútil para o mundo. E inativa. Eu odeio me sentir inativa e passiva quando se trata da minha própria vida. O grande problema é que eu não sei por onde começar e o mais importante de tudo: começar o quê? Que direção eu devo tomar?

Adiante é tão relativo quanto qualquer coordenada evasiva. Eu estou perdida no marasmo da minha rotina.

Mas é aí que eu queria chegar: por onde começar. A vida é muy louca, e recebi agora uma notificação de que uma menina favoritou o primeiro capítulo da história que finalizei oficialmente ontem. Umas horas atrás a minha leitora mais fiel me agradeceu por ter contado a mesmíssima história.

Estamos em patamares e níveis tão diferentes das nossas vidas que me arrisco a dizer que viver é como ler uma história, ninguém lê na mesma velocidade, na mesma intensidade, com a mesma intenção. A literatura é morta se não tem espectador.

O que seria da arte sem a plateia?

A gente se martiriza e culpa tanto por não ter um ritmo tão rápido - ou tão lento - quanto o das pessoas que vemos na nossa volta. A gente quer desacelerar quando corre e sair em disparada enquanto descansa.

Será que isso é culpa nossa subjetiva ou é culpa do sistema que estamos inseridos?

Não se preocupe, essa não é mais uma das minhas críticas sociais, é só mais um dos mil desabafos que venho fazendo silenciosamente. É só um suspiro cansado de quem não tem ideia de como agir com a própria vida.

É feliz quem é ativo, disseram-me.

Mas e quando o início da próxima temporada foi adiado e a gente precisa pacientemente esperar o primeiro capítulo, sem espiar os spoilers na internet?

A vida, meus caros, existe quando existe, é autossuficiente.

Seríamos nós incapazes de lidarmos de forma saudável com ela?

O fuso-horário é mesmo louco e o tempo corre mais que Barry Allen. A gente nunca quer ficar para trás.

Mas lembre-se: quando assistimos um seriado, vemos vários lados da história e xingamos um pouco as personagens por serem tão burras, até nos darmos conta de que elas não sabem dos detalhes que temos acesso. Elas estão ali, em meio ao próprio drama.

Não estaríamos nós sendo injustos com nós mesmos ao esperarmos que adiantemos todas as estreias e esgotemos todas as bilheterias?

A gente vive pelas visualizações e esquece que tem que gravar.

Mais importante ainda: esquece que o show sempre conhece muito tempo antes de se iniciar.

Que caiam as cortinas: você não precisa estar tão preparado quanto acha que precisa estar.

A vida é uma tomada rápida de fôlego e você precisa aproveitar do oxigênio enquanto ainda pode.

Não esquece de respirar, viu?

26 de fev de 2018

Liberdade ou solidão?

Solidão (s.f.).: estado de quem se acha ou se sente desacompanhado ou só; isolamento. Sartre acreditou que a solidão era fundamental para o ser humano. Outros acreditavam que o ser humano precisa estar ativamente nas relações sociais e a solidão é o bug no código.

Eu acho que a solidão é uma confusão caótica de um silêncio ensurdecedor. Quantas vezes eu me senti avulsa no meio de uma multidão? Um vazio gigantesco em um ambiente preenchido em cada metro quadrado.

Não há companhia como a minha, e meu problema não é com a demasiada existência de mim no meu mundo, mas com a essência enlouquecedora de que sou só eu por mim comigo ali. Porque o silêncio externo é necessário para autoconhecimento mas a vida não é um questionário de Proust e eu já devo ter dito isso.

O problema é a falta da compreensão, a ausência da tua presença ao meu redor e da tua atenção plena na nossa conversa. Eu quero te ouvir, mas você está pronto para me escutar? A paz de um dia tranquilo e livre não substitui a paz de uma boa relação com o mundo. Não vivo em uma ilha, tampouco em uma metrópole, mas e essa sociedade?

Eu sou a sociedade. Hipócrita, fujo rápido de quem tenta se aproximar da minha alma, mas dói estar tão longe do teu mundo. Paradoxal ou idiota? A vida é uma música incompleta que grita para ter diversos compositores no seu processo.

Quão bom é um disco com o trabalho de um homem só?

Eu que não tenho nada de novo para compartilhar além das minhas frustrações ou você que está ocupado demais com a própria vida para me ouvir?

O maior erro do ser humano é transformar a própria vida na coisa mais importante e complicada dessa vida. Aí você se torna o próprio segurança dos muros que construiu tijolo por tijolo, enquanto achava que estava crescido demais para não precisar de proteção de outrem.

Ser independente independe de solidão. Tem mais a ver com responsabilidade, liberdade e aquela humildade de perceber que não se vive só, mas em comunhão.


Explicações

Resolvi escrever uma justificativa do porquê não segui com o cronograma de fevereiro.

Minha rotina está louca, e ao menos tempo pacatíssima. Está sendo difícil lidar com ambas as situações, e me dei conta que o cronograma de fevereiro foi a minha última tentativa de transformar o Contando Estrelas em algo regular e mais sério. Percebo, depois de inúmeras tentativas, que o CE nunca foi realmente algo para ser levado mais a sério do que um dos meus hobbies preferidos. Eu amo escrever, amo compartilhar minhas impressões e opiniões para e com e sobre o mundo, mas percebi que não quero que o blog se torne uma obrigação.

Por quatro anos, o Contando Estrelas foi o meu refúgio, o meu lugar que eu podia ser o que eu sempre fui, nua e crua, com toda a minha alma exporta - o máximo que era possível para mim.

Por isso, venho por meio deste colocar o cronograma de fevereiro abaixo. Que o blog se mantenha sendo esse lugar imaculado que eu gosto tanto de estar e deixar que as pessoas sintam-se em casa e próximas de mim, e acolhidas.

Obrigada por cada leitura, cada visualização e cada esperança cada vez que eu tento regularizar isso aqui, mas não vai dar não.

Além de tudo, seguir com projetos assim sem interação é muito difícil. Falta aquele puxãozinho para que nos coloquemos a cumprir, mas com a sensação de que ninguém vai realmente ler, é bem complicado. Mas a decisão não é por isso, não é uma reclamação, é, na verdade uma escolha somente minha com base numas conversas que tive comigo mesma.

Ainda assim, caso alguém queira que eu escreva algo sobre a rotina de vestibulares, faça alguma resenha, indique alguma coisa, minhas redes sociais estão abertas para isso, estou sempre disponível para ouvi-lxs!

Caso contrário, faço o que me deu a ideia inicial daqui: vou escrevendo o que sufocar meu peito de alegria, amor ou dor. Ou indignação.

O que vier, será absolutamente bem-vindo.

Até mais.

18 de fev de 2018

Cores.

Leia ouvindo: 
(a música é boa mesmo, tá, mores?)




Cinza.

Tudo era cinza e escuro antes. Eles estavam errados quando diziam que o pior é a escuridão. O preto é bonito, é forte, tem presença. O que assusta mesmo é o cinza. Bom, os cinzas.

Cada e todo tom de cinza que existe e eram minha companhia. Eu não conhecia cores.

Esperar. Querer. Não ter.

Você foi o meu primeiro não. Para alguém que sempre teve absolutamente tudo o que quis, que criou as próprias regras e colocou todas as cartas na mesa, nas suas condições, friamente, com o olhar apenas na vitória certa, você esbarrou em mim e derrubou todos os pinos do jogo colocado.

Você me deu cheque-mate antes que eu pudesse perceber que tinha perdido porque nenhuma estratégia era párea para a sua vida.

Sempre foi noite sem luar, e você chegou como o sol forte, amanhecendo o dia, iluminando a noite, me queimando e fazendo com que tudo doesse.

Confundia solidão com liberdade. Eu só preciso de paz.

Você chegou na minha vida como um furação, revolucionando tudo, e agora que finalmente enxergo, não posso parar de fazer isso. Nem quando finjo que voltei para o cinza de sempre.

Cada parte da muralha de vidro construída ao redor do meu coração foi estilhaçada por você.

Eu só preciso de paz.

Você me nocauteou e agora eu preciso ser tudo o que sou: tudo aquilo que sinto.

Tudo aquilo eu sou.

Cor.